solonNossa tradição, brasileira, é muito pouco voltada para ações coletivas. Quando muito se pensa em ações conjuntas, mas de forma isolada e não sistêmica. Principalmente no âmbito corporativo os concorrentes são vistos muitas vezes como “inimigos” e não apenas como concorrentes no mercado. Em alguns mercados a união de empresas para ações de P&D, geralmente junto com órgãos de pesquisa, traz benefícios coletivos, diminuindo custos e abreviando o tempo para a entrada de novos produtos no mercado.

Diversos estudos tanto teóricos como práticos demonstram as vantagens da união de empresas, em atividade sinérgica entre seus departamentos de P&D:

Carlos Fadiga, 2011:

“P&D pré-competitivo é essencial para o desenvolvimento tecnológico da indústria”.

“Modelos institucionais de cooperação entre setor público e privado para P&D pré-competitivo devem ser mais simples e ágeis”

(https://static-cms-si.s3.amazonaws.com/media/uploads/arquivos/20130314101643272270a.pdf)

Já Longo e Oliveira (PARCERIAS ESTRATÉGICAS – número 9 – outubro/2000 – http://seer.cgee.org.br/index.php/parcerias_estrategicas/article/viewFile/123/117) citam:

“A pesquisa cooperativa caracteriza-se pela definição de uma área temática a ser explorada ou de um projeto específico visando produzir uma inovação ou resolver um problema tecnológico, e que requeiram atividades rotuladas como sendo de pesquisa básica, pesquisa aplicada, desenvolvimento experimental ou engenharia, objetivando produzir novos conhecimentos, executado de forma coletiva, reunindo instituições de pesquisa e empresas que participam com recursos financeiros ou técnicos, custeando ou executando partes das tarefas, tendo acesso, em contrapartida, a todas as informações geradas”.

Na área de inoculantes para leguminosas existem muitos casos de cooperação entre indústrias e pesquisa oficial, mas nenhum de cooperação entre empresas para desenvolvimento de novos produtos ou processos. Hoje, praticamente todas as empresas produtoras de inoculantes possuem quadros técnicos de excelente gabarito, com profissionais formados nos melhores centros de pesquisa e que podem desenvolver pesquisas de alto padrão para incrementar cada vez mais os benefícios da Fixação Biológica do Nitrogênio para os agricultores.

E se pensarmos em juntar todas estas competências em um ou mais projetos conjuntos, juntamente com entidades oficiais de pesquisa? Sem dúvida o ganho em rapidez, redução de custos e melhor tempo de desenvolvimento seria altamente compensador. Pode-se alegar que isto tornaria o mercado “pasteurizado”, com produtos iguais. Esta argumentação não procede, porque a pesquisa seria na fase pre-competitiva, na pesquisa, gerando um produto base que após esta etapa,  seria trabalhado em cada empresa para dar características customizadas, como embalagem, concentrações, etc. Além dos benefícios quantitativos, como diminuição dos custos e do  tempo de desenvolvimento,  haveria um grande benefício qualitativo, pois a sinergia entre profissionais de alto nível certamente geraria produtos inovadores que seriam mais dificilmente criados isoladamente. Esta equipe de pesquisadores, das empresas privadas e dos institutos e universidades, criaria uma massa crítica que poderia mudar significativamente o panorama do uso da microbiologia do solo nos próximos anos, gerando produtos de elevado efeito na produtividade e perfeitamente enquadrados nas novas tendências de uma agricultura com menos danos ao ambiente.

Entretanto, para que uma pesquisa pré-competitiva se concretize é necessária uma governança do processo, congregando todos em torno dos objetivos comuns e acompanhando o projeto para que o mesmo tenha continuidade e chegue a bons resultados. Neste ponto é que a existência de uma associação de classe desempenha um papel fundamental, exercendo de forma natural esta governança do projeto.

A ANPII já começou na gestão passada uma ação neste sentido, visando desenvolver produtos em conjunto. Esta filosofia foi prontamente abarcada pela nova gestão e estão em sequência tratativas junto aos associados e órgãos de pesquisa para implementar projetos pré-competitivos na área de inoculantes, o que certamente trará grandes benefícios para a agricultura brasileira.

Estas ações inovadoras mostram a pujança e a dinâmica da indústria de inoculantes e sua inserção no mundo moderno, com ações que fogem do “sempre se fez assim” para horizontes mais arrojados, sintonizando com as rápidas mudanças do cenário tecnológico mundial