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Aumenta a produtividade do feijão-caupi na região Pré-Amazônia com a inoculação com rizóbios. O feijão-caupi, também conhecido como feijão macaçar ou feijão-de-corda é cultivado predominantemente nas regiões Norte e Nordeste
Embrapa Agrobiologia
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O feijão-caupi, também conhecido como feijão macaçar ou feijão-de-corda é cultivado predominantemente nas regiões Norte e Nordeste, principalmente por sua adaptação às condições edafoclimáticas. Nestas regiões o rendimento médio é de 300 a 400 kg ha-1, abaixo do potencial da cultura que pode chegar até 6t/ha (FREIRE FILHO et al., 1998).
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Essa leguminosa tem a habilidade de se associar com bactérias do solo do grupo rizóbios e desencadear o processo de fixação biológica de nitrogênio, suprindo parte da nutrição nitrogenada pela planta. Entretanto, para alcançar uma fixação efetiva do nitrogênio no sistema rizóbio-leguminosa, é necessário selecionar estirpes adaptáveis às áreas de cultivo. No Brasil, já existem estirpes de rizóbios para feijão-caupi que foram recomendadas a partir de resultados em área da Caatinga, Cerrado e Amazônia. Até o momento não havia sido realizado estudo de eficiência dessas estirpes para a região Pré-Amazônia, que abrange os Estados do Maranhão, do Tocantins e do Mato Grosso Dada a sua posição geográfica em uma zona de transição entre os biomas Amazonia e Cerrado, o Maranhão é um dos estados da região Nordeste do Brasil que apresenta algumas peculiaridades e especificidades expressivas como: grande diversidade de ecossistemas, variabilidade espacial e alta pluviosidade média; características dos solos que, em grande parte, derivam de rochas sedimentares e por isso apresentam estrutura frágil, baixa capacidade de retenção de cátions e baixos teores de nutrientes como sódio, cálcio e magnésio; intensa insolação equatorial que acelera a decomposição da matéria orgânica, que no trópico é muito importante, pois neutraliza a acidez tóxica do alumínio e mantém a estrutura do solo. A partir de parcerias entre a Embrapa Meio-Norte, a Universidade Estadual do Maranhão e a Embrapa Agrobiologia (Seropédica-RJ), ensaios exploratórios foram realizados considerando as particularidades da região Pré-Amazônia. Os estudos foram realizados em propriedades agrícolas dos municípios de Zé Doca e Santa Luzia do Paruá, com a participação direta dos agricultores familiares, utilizando as estirpes já recomendadas pelo MAPA e uma nova estirpe de rizóbio (BR 3299).

Figura 1: Raízes de feijão-caupi inoculado, Município de Zé Doca-MA (Ciclo: 2008) Os resultados obtidos foram acima das expectativas. A inoculação com a estirpe BR 3299 foi responsável pelo incremento de 214% (1.247 kg/ha) em relação ao tratamento não inoculado. Em relação ao tratamento com NPK o incremento foi de 67%. Além da vantagem para a substituição, total ou parcial, dos adubos nitrogenados, pelo suprimento à cultura com o N necessário para o seu crescimento e desenvolvimento, a fixação biológica de nitrogênio também apresenta outras vantagens através do aumento da parte aérea que representa uma reserva de nutrientes com a decomposição da matéria orgânica, e a diminuição dos custos de produção e economia de combustíveis fósseis utilizados para a fabricação de fertilizantes nitrogenados.

Figura 2: Plantio Direto de Feijão Caupi Inoculado, Santa Luzia do Paruá-MA (Ano: 2008) O custo do inoculante representa cerca de R$ 8,00, suficiente para uma área de 1ha. Portanto, essa tecnologia representa um instrumento para viabilizar sistemas de produção do feijão-caupi para a região Pré-Amazônia. Antonio Carlos Reis de Freitas - Embrapa Meio-Norte, Norma Gouvêa Rumjanek e Gustavo Ribeiro Xavier - Embrapa Agrobiologia
A ANPII e a qualidade dos inoculantes
Solon C. de Araujo Eng. Agr., Consultor técnico e de marketing da ANPII
A qualidade do inoculante comercializado no Brasil avançou de forma extraordinária nos últimos anos, seguindo a tendência de insumos cada vez mais eficazes para o aumento da produtividade das lavouras. Os primeiros inoculantes produzidos no Brasil, na metade do século passado, não tinham uma concentração normatizada por lei. No início dos anos 80, foi elaborada pelo Ministério da Agricultura a primeira legislação, exigindo que as empresas produtoras tivessem uma série de equipamentos mínimos necessários para a produção do insumo. A concentração mínima era de 100 milhões de bactérias por grama no momento da produção e de 10 milhões no final do prazo de validade.
Mas a produtividade da soja aumentou com os novos materiais genéticos, exigindo, conseqüentemente, maior aporte de nitrogênio; começaram a ser usados outros produtos no tratamento de sementes, como fungicidas líquidos, inseticidas e micronutrientes; e solos com menor teor de matéria orgânica de com fatores adversos à bactéria foram incorporados ao processo produtivo da soja e de outras leguminosas. Tudo isto levou a que se buscasse inoculantes com maior concentração de bactérias, visando atender à necessidade do agricultor.
Em paralelo, a pesquisa oficial selecionava estirpes cada vez mais eficientes, que proporcionassem todo o nitrogênio demandado pelas leguminosas e este é um dos casos de maior sucesso da pesquisa agropecuária brasileira, pois o país conta com uma coleção de estirpes de rizóbios de elevada eficácia no aporte do nutriente mais exigido pelas leguminosas. O sistema que ordena a seleção e a recomendação do material genético para as empresas foi formado espontaneamente, em trabalho conjunto da pesquisa e das empresas, constituindo-se em um dos marcos para o desenvolvimento da qualidade dos inoculantes. A edição de uma nova legislação na década de 90, exigindo a esterilização da turfa e elevando a concentração mínima para 1.109 células por grama foi o marco decisivo para a elevação da qualidade dos inoculantes comercializados no Brasil para os atuais patamares, que colocam o produto usado por nossos agricultores na liderança mundial. A ANPII participou de todas as discussões relativas à legislação, sempre apoiando a elevação dos padrões de qualidade, pois a existência das empresas filiadas depende da satisfação dos agricultores com os benefícios que o produto trouxer para eles.
Atualmente, o grande trabalho da associação é o de garantir, sempre em conjunto com o MAPA, a qualidade dos inoculantes que são comercializados no Brasil. Para tanto, a Associação pleiteou e teve aceita sua inclusão na Câmara Temática de Insumos Agropecuários do MAPA, passando a participar das grandes discussões da política de insumos no Brasil, bem como já está estudando as novas mudanças na legislação que serão propostas pelo MAPA a partir de dois meses.
Também dentro de seu programa de qualidade e mostrando o nível de integração com a pesquisa, foi criado, em conjunto com a RELARE, o Fundo de Apoio à Pesquisa – FAPANPII, com o aporte voluntário de um percentual da venda de cada dose para financiar pesquisas com inoculantes. Diversos projetos já estão em andamento e outros já foram finalizados. A coleção de estirpes, da FEPAGRO (no Rio Grande do Sul), é financiada em grande parte pelos recursos deste fundo.
Mas no próximo ano terá início a grande ação da entidade para a garantia plena da qualidade: um processo de certificação dos inoculantes produzidos pelas empresas filiadas. Dentro de dois a três anos, em uma ação inédita no mundo, todo o inoculante comercializado pelas empresas filiadas terá um selo de qualidade emitido por entidade independente, o dará certeza plena ao agricultor que adquirir o inoculante destas empresas de estar usando em sua lavoura um produto de elevada qualidade.
Fixação Biológica do Nitrogênio na cultura de soja. Inoculação e Protetores bacterianos.
A Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) é um dos processos mais relevantes que acontecem na natureza, já que através desse mecanismo biológico, bactérias do gênero Bradyrhizobium sp. transformam o N2, que é muito abundante no ar (mais de 75 %), em amoníaco, para que as plantas da família das leguminosas, como é a soja, possam transformá-lo posteriormente em proteínas vegetais. Apresentando o conceito global da FBN, tentaremos responder algumas perguntas fundamentais desse transcendente processo biológico.
Que é a FBN. A FBN é um processo simbiótico pelo qual dois organismos, uma planta leguminosa e bactérias do gênero Bradyrhizobium, constituem órgãos comuns chamados nódulos, onde ambos fornecem substâncias essenciais para a vida. As leguminosas fornecem os hidratos de carbono, sumamente importante para os microrganismos, e as bactérias o nitrogênio formador das proteínas que é fundamental para os vegetais.
Como acontece a FBN. A FBN é um processo altamente demandante de energia que requer mais de 16 ATP para transformar uma molécula de amoníaco que necessariamente tem que ser feita na presença da enzima nitrogenase. O maravilhoso do processo é que acontece em condições normais de pressão e temperatura e não é necessário, como na síntese química do amoníaco, altas temperaturas (mais de 500 °C) e altas pressões (mais de 300 atmosferas) para consegui-lo.
Que benefícios se obtém com a FBN. Falar do rendimento na cultura de soja é falar de proteína, e proteína é nitrogênio. Portanto, se o solo faz seu aporte de nitrogênio, é essencial para a economia do nitrogênio do solo e para maximizar a produtividade da cultura de soja (cujo grão possui aproximadamente 40 % de proteína) incrementar o aporte do nitrogênio que vem da simbiose planta-bacteria. Conseqüentemente, quando nosso objetivo é maximizar a FBN, a técnica de inoculação constitui-se em uma ferramenta de grande importância para lograr-lo. Pois bem, através dos anos houve uma grande evolução das técnicas de inoculação, que perseguem os seguintes objetivos: 1- Garantir uma alta concentração de bactérias sobre a semente. 2- Incorporar no solo estirpes de alta capacidade de fixar biologicamente mais nitrogênio do ar. 3- Manter altos níveis de sobrevivência bacteriana para se obter maior quantidade de nódulos provenientes dos inoculantes.
Felizmente, podemos afirmar que: • As tecnologias existentes de fermentação bacteriana industrial asseguram mais de 10.000.000.000 de bactérias por mL de inoculante. • A seleção de estirpes mais eficientes é hoje uma realidade que nos permite formular inoculantes com bactérias que tenham maior capacidade de fixar nitrogênio atmosférico. • Finalmente a tecnologia de protetores bacterianos tem conseguido altíssima sobrevivência das bactérias sobre as sementes através de mecanismos que as protegem melhor das condições agroclimáticas menos favoráveis.
Os protetores bacterianos estão produzindo uma nova revolução na técnica de inoculação. Não só porque facilitam operativamente o manuseio dos inoculantes, permitindo a realização da inoculação vários dias antes do plantio (conseqüentemente a praticidade que isso implica na hora de realizar os tratamentos), senão e fundamentalmente também porque dão proteção às bactérias que determinam maiores índices de sobrevivência traduzível em mais nódulos provenientes das estirpes de alta capacidade de FBN como são as do inoculante.
Por isso, para atingir esses objetivos, os protetores bacterianos asseguram: • Uma maior aderência das bactérias de Bradyrhizobium sp. na semente de soja. • Uma maior umectação das células bacterianas sobre a superfície da semente. • Uma maior nutrição com fontes energéticas e minerais que alongam a vida bacteriana.
Concluindo, com mais bactérias eficientes se tem maiores taxas de sobrevivência, fornecendo à cultura da soja mais FBN, que se converte em uma melhor nutrição nitrogenada das plantas leguminosas.
Eng. Agr. Gustavo González Anta. Departamento Técnico de Rizobacter Argentina S.A. gganta@rizobacter.com.ar
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