Nas últimas décadas a agricultura passou por diversas mudanças, com a adoção de tecnologias principalmente voltadas à física e química do solo, levando ao aumento de produção de alimentos em culturas com potencial produtivo cada vez maior. A biologia do solo, entretanto, ainda é pouco explorada comparada à grande diversidade de organismos e à complexidade de interações que existe entre eles. Apesar de já trabalharmos com microrganismos na promoção de crescimento de plantas, há um campo gigantesco a ser estudado e descobertas a serem feitas. Dito isso, a microbiologia pode ser o futuro da agricultura?

Celebrado no dia 17 de setembro, o Dia Internacional do Microrganismo traz a importância da microbiota do solo, não apenas por meio da inoculação em culturas comerciais, mas também na adaptabilidade de diversas espécies vegetais a ambientes desfavoráveis ao seu crescimento. Isso ocorre há milhões de anos, nos diferentes tipos de solos, com comunidades microbianas nativas que interagem entre si e com a vegetação. As plantas liberam exsudatos pelas raízes, responsáveis por atrair microrganismos benéficos, em uma relação simbiótica.

A ciência foi responsável por isolar microrganismos cultiváveis de diversos ambientes e selecioná-los de acordo com seu potencial de promoção de crescimento de plantas. Dentre os mecanismos que esses microrganismos introduzidos nos sistemas de cultivo possuem para promover o crescimento vegetal, podemos citar a fixação biológica de nitrogênio, solubilização de fósforo, produção de fitohormônios, inibição de patógenos, entre outros. Dessa forma, a planta é capaz de explorar de forma mais eficiente a água e os nutrientes do solo, reduzindo a demanda por fertilizantes minerais e possibilitando uma agricultura mais sustentável.