Consumo de inoculantes deve aumentar

solonDurante os últimos anos o uso de inoculante no Brasil vem em uma curva ascendente de forma contínua e consistente, mostrando de forma clara a plena adesão dos agricultores brasileiros a esta técnica agrícola que tantos benefícios traz aos agricultores, ao país como um todo e ao ambiente.

Novamente no plantio deste ano o uso do produto vai aumentar de forma acentuada, espalhando as bactérias fixadoras de nitrogênio pelas lavouras do país. De norte a sul do Brasil os agricultores se mobilizam para semear dentro da época mais apropriada, o que, neste ano, nem sempre está sendo possível pelo atraso no início das chuvas.

E nesta situação de baixa disponibilidade de água no solo os cuidados com a inoculação devem ser redobrados. Todos sabemos que nenhum ser vivo vive sem água. E como as bactérias do inoculante são seres vivos, também necessitam de água para sobreviver. Isto se agrava ainda mais no caso do Rhizobium/Bradyrhizobium, que são bactérias não esporuladas, portanto sem forma de resistência.  Assim, muitas vezes somos perguntados sobre o “plantio no pó”. Sem dúvida que um tempo prolongado com as bactérias em um ambiente seco, ainda mais com elevada temperatura, é um fator altamente estressante, levando a uma elevada mortalidade de bactérias.

Mas como fugir ou pelo menos minimizar ou corrigir este efeito negativo da falta de chuvas ne época ideal de plantio? Se por força da logística da propriedade for indispensável plantar com o solo seco e sem previsão de chuva nos próximos dias após a semeadura, é necessário um acompanhamento rigoroso da nodulação. Em torno de doze a quinze dias após a emergência deve-se fazer uma observação das raízes, verificando se os nódulos já estão se formando em torno da raiz principal. De dez a quinze nódulos nesta fase já demonstram que a nodulação deverá se formar corretamente.

Entretanto, se nesta inspeção não forem observados nódulos, ou se estiverem em número muito baixo, é sinal de que a inoculação ficou prejudicada. Neste caso, pode-se fazer uma aplicação de inoculante via pulverização, usando-se de três a cinco doses por hectare, diluindo o inoculante em água, pulverizando-se de cinquenta a cem litros por hectare, tomando-se o cuidado de dirigir o jato o mais possível para o pé da planta, pois as bactérias do inoculante tem que chegar ao solo para atingir as raízes. As bactérias que ficam sobre a folha não trazem nenhum resultado. Entretanto, mesmo neste caso, a umidade do solo é fundamental. Esta pulverização em solo seco não terá efeito. Outro cuidado é não fazer esta aplicação nas horas de sol pleno. O final da tarde é o período ideal para a utilização desta técnica.

A fixação biológica do nitrogênio, como todas as técnicas utilizadas na agricultura tem suas particularidades e requer atenção no seu uso. Assim como os produtos químicos tem que ser aplicados sob determinadas condições de ciclo da planta, das doenças, das pragas, das invasoras, o inoculante também tem que respeitar suas condições específicas para que o agricultor tire o máximo proveito no aporte de nitrogênio para sua lavoura.

Mas, de longe, os benefícios do nitrogênio via biológica superam suas dificuldades de aplicação, o que tornou o inoculante um produto hoje utilizado por mais de 80% dos agricultores brasileiros. Os números crescentes da venda deste produto dentre as empresas associadas à ANPII demonstram definitivamente que o uso de inoculante se incorporou às técnicas “obrigatórias” para quem deseja elevadas produtividade e rentabilidade em sua lavoura.

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