solonO Agronegócio cresceu enormemente no Brasil durante os últimos anos, tornando-se um dos pontos chave no desenvolvimento do país. De todas as atividades econômicas é a que menos tem sofrido os efeitos das crises, colocando o segmento como uma das alavancas da economia nacional

A geração de novas tecnologias e sua pronta adoção pelos agricultores fez com que a atividade agropecuária tornasse o Brasil um dos líderes mundiais na produção de alimentos. O segmento não somente supre as necessidades alimentares do país, como exporta alimentos para todos os continentes.

Dentre as tecnologias que contribuem fortemente para esta liderança, o uso da Fixação Biológica do Nitrogênio – FBN para o fornecimento de nitrogênio às leguminosas se constitui em das mais importantes. Se pensarmos em 33 milhões de hectares de soja, com necessidade de 300 kg de N por hectare, poderemos ver a grandeza da importância do uso da FBN no provimento deste nutriente.

Os ganhos que o uso de inoculantes, os produtos que provêm o nitrogênio biológico para as plantas, trazem para toda a cadeia é enorme e já bem conhecido: economia de bilhões de dólares para o país, pela menor importação de fertilizantes nitrogenados; uso de um insumo dez vezes mais barato; enormes ganhos ambientais pelo uso de um produto natural em cuja produção não há emissão significativa de gases de feito estufa e pela não poluição de curso d’água e lençol freático.

Hoje o Brasil produz anualmente mais de 50 milhões de doses de inoculantes, um recorde mundial, com um expressivo crescimento nos últimos anos. Isto significa a adoção plena da tecnologia por parte dos agricultores brasileiros, sempre atentos a técnicas que tragam maior rentabilidade em suas lavouras.

Mas quais foram os passos para que esta tecnologia se implantasse de forma tão consistente? Claro que foi fruto de muito trabalho de diversos setores da sociedade, que se mobilizaram em torno de um eixo comum: fazer da fixação de nitrogênio uma técnica chave para a produção de leguminosas, despontando, no caso, a soja. Pesquisa, fiscalização, extensão, empresas e agricultores trabalharam e trabalham em conjunto para aprimorar cada vez mais o uso da fixação biológica do nitrogênio, visando não só sua eficácia no aporte do nutriente, mas na forma de uso, tornando-a cada vez mais compatível com as modernas práticas agrícolas.

Os dois grandes pesquisadores que deram início à seleção de cepas de bactérias fixadoras, J. R., Jardim Freire e Johanna Dobereiner lançaram as bases de um amplo programa, imediatamente adotado pela então Comissão Nacional da Soja como um dos pilares do desenvolvimento da cultura no Brasil. A partir daí, com a criação da RELARE, fórum de discussões e criação de balizadores para a atividade, a FBN passou a se desenvolver de forma orgânica. Em um mesmo fórum se traçam as grandes linhas da pesquisa, da legislação, doa parâmetros de qualidade. São criados protocolos para análise de produtos e de formas de aplicação. Os agricultores, por sua vez, trazem sugestões para facilitar o uso do produto, usar com mais eficácia os inoculantes no campo. Neste contexto as empresas produtoras de inoculantes associadas da ANPII, partícipes destas discussões, aprimoram cada vez mais seus produtos, entregando aos agricultores inoculantes com cepas selecionadas, padrões de qualidade sempre atualizados e formas de uso em consonância com as necessidades do agricultor.

Por tudo isto, principalmente pela interação entre todos os agentes da cadeia da FBN esta tecnologia assumiu tal importância no cenário do agronegócio brasileiro e se consolidou como um dos marcos da produção de leguminosas no Brasil.