Azospirillum e a adubação nitrogenada em milho

Amélio Dall’Agnol, Marco Antônio Nogueira e Mariângela Hungria, pesquisadores da Embrapa Soja

A fixação biológica de nitrogênio (FBN) sempre esteve associada a algumas espécies de plantas da família das leguminosas, via inoculação de bactérias genericamente denominadas rizóbios. Essa parceria é capaz de transformar a molécula do N2 atmosférico, que representa 78% dos gases presentes na atmosfera e não é assimilável pelas plantas, em N amoniacal, que é assimilado pelas plantas. A total necessidade de N em leguminosas, como a soja e o feijoeiro, pode ser suprida via este processo.

Nódulo de leguminosa em processo de inoculação. Foto: Liliane Bello.

Embora o Azospirillum possa realizar a FBN em algumas condições, a quantidade suprida de N fixada fica muito aquém das necessidades das culturas de interesse econômico, como o milho. Entretanto, por meio da produção de hormônios vegetais – uma das características dessa bactéria promotora de crescimento – ocorre um estímulo ao desenvolvimento do sistema radicular. Com maior volume, comprimento, massa e superfície de raízes, as plantas conseguem explorar melhor o solo circunvizinho e absorver maior quantidade de nutrientes, como o N proveniente dos fertilizantes nitrogenados, com aumento da eficiência de uso dos mesmos, o que acaba resultando em aumento de produtividade na maioria dos casos.

Estudos indicam que a inoculação do milho com Azospirillum, seja via sementes, via sulco de semeadura e, para alguns produtos, via aplicação foliar, aumenta a eficiência de uso do fertilizante nitrogenado, o que, sob certas condições, pode permitir a redução da quantidade de N aplicada em cobertura ao milho. O percentual de redução vai depender do nível tecnológico empregado, do potencial produtivo e dos riscos climáticos à lavoura. Em condições de alto nível tecnológico, alto potencial produtivo e baixo risco climático não se recomenda a redução da adubação nitrogenada de cobertura mas, mesmo assim, se observam respostas à inoculação com Azospirillum,o qual prepara a planta para o melhor aproveitamento dos nutrientes.

Em níveis tecnológicos intermediários, a redução da adubação de cobertura em 25%, associada à inoculação com Azospirillum, mostra-se equivalente à aplicação da dose cheia de N em cobertura, sem a bactéria. Em baixos níveis tecnológicos ou em áreas marginais, como em lavouras conduzidas sob alto risco climático, em que o risco de investimento é alto e o retorno incerto, a adubação nitrogenada de cobertura é limitada a 50% ou menos, o que aumenta o potencial relativo de resposta à inoculação com Azospirillum.

Cultura do milho. Foto: Flávia Fiorini

Embora a FBN por Azospirillum em milho não seja relevante, o aumento da eficiência de uso do fertilizante nitrogenado promovido pelo estímulo ao sistema de raízes é uma ferramenta a mais para a produção com maior sustentabilidade econômica e ambiental. É importante que o produtor utilize o inoculante de acordo com as recomendações do fabricante, em termos de dose e modalidade de aplicação, conforme registro do mesmo no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Azospirillum, mais uma tecnologia barata para incrementar a produção e reduzir custos.

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