solonNo final da década de 1960, pesquisadores do Brasil, Uruguai e Argentina realizaram a primeira RELAR – Reunião Latino Americana de Rizobiologia, na qual foram traçadas as primeiras linhas para uma organização da pesquisa e produção de inoculantes. Posteriormente, por ação do Prof. Jardim Freire, da Universidade do RS, foi criada a RELARE, rede de laboratórios brasileiros para sistematizar a pesquisa e o uso de material genético para a fixação biológica no Brasil.

Estas iniciativas representaram um marco na fixação biológica do nitrogênio, resultado em uma estrutura que ordenou a seleção e a recomendação de cepas (ou estirpes) de Rhizobium/Bradyrhizobium que forneceu toda a base cientifica para que a técnica da inoculação se firmasse no Brasil como uma tecnologia plenamente adotada pelos agricultores brasileiros.

E porque a seleção é importante? Como em todas as populações, há indivíduos mais ou menos capazes para determinadas funções. Quando se deseja obter melhores resultados, faz-se uma seleção dos mais eficazes, daquelas linhagens que poderão trazer maiores benefícios. Isto ocorre com plantas, nas quais se selecionam as mais produtivas; com animais, selecionando-se as galinhas com maior postura, o gado de corte com maior ganho de peso em menos tempo, as vacas com maior produção de leite.

Com as bactérias fixadoras de nitrogênio não é diferente: através de métodos científicos muito bem estudados, busca-se identificar, em uma vasta população, aquelas cepas que sejam mais aptas para fixar nitrogênio, mas que, ao mesmo tempo, possuam outros atributos: alta capacidade de competição, bom crescimento em meios artificiais, sobrevivência por largo tempo nos meios usados para formular inoculantes, alta estabilidade genética.

Este é o trabalho que vem sendo desenvolvido, vitoriosamente, por longos anos no Brasil. As grandes produtividades obtidas na soja inoculada têm como base a seleção de estirpes. Inicialmente em laboratório, passa para vasos com solo em uma segunda etapa e finaliza com ensaios de campo, realizados em rede por diversas entidades de pesquisa, em vários locais do país.

Desta forma, os inoculantes produzidos no Brasil contém cepas de elevada eficiência, cientificamente selecionadas e com eficiência agronômica comprovada. Por outro lado, as indústrias de inoculantes desenvolveram sistemas de produção altamente sofisticados, contrataram pessoal qualificado para a produção e pesquisa e desenvolvimento, visando oferecer produtos da mais elevada qualidade para que o agricultor possa obter altos rendimentos.

Mas apesar de tudo isto, dos investimentos feitos em ciência e tecnologia, começam a aparecer tentativas de produções rudimentares de inoculantes “alternativos” para, supostamente, substituir os inoculantes produzidos com cepas selecionadas e com elevada tecnologia. Em uma agricultura que se moderniza diariamente, com máquinas, equipamentos e insumos de última geração, é inconcebível que a fixação biológica de nitrogênio, altamente rentável para o agricultor, a economia do país e para o ambiente venha a sofrer retrocessos, voltando a processos antiquados, sem se ater aos conhecimentos científicos que tanto estão dando certo em termos de produtividade na agricultura brasileira.

As entidades de pesquisa, as associações de classe dos engenheiros agrônomos, as universidades, os serviços de assistência técnica e as empresas produtoras de inoculantes devem cerrar fileiras em defesa das modernas, e altamente eficazes, técnicas de inoculação. Um retorno a práticas rudimentares somente traria prejuízos à uma técnica que se confirma, cada vez mais, como a mais rentável para o agricultor.

As empresas associadas à ANPII continuam com seu compromisso de entregar ao agricultor brasileiro inoculantes produzidos com estirpes selecionadas pela pesquisa e produzidos dentro dos mais rígidos conceitos de controle de qualidade, atendendo às exigências de uma agricultura produtiva e rentável.