solon

No final do século XIX, após a comprovação da fixação do nitrogênio pelas bactérias em simbiose com raízes de leguminosas, iniciaram-se os estudos da utilização agronômica deste fenômeno.

No início do sec. XX já se iniciou a produção comercial de inoculante, visando difundir seu uso na agricultura. Na segunda metade do século passado houve a universalização do emprego de inoculantes como forma de fornecer nitrogênio para a cultura das leguminosas. Em especial no Brasil, Argentina e Uruguai, esta técnica agrícola assumiu enorme importância, tornando-se um dos fatores fundamentais para a cultura da soja na América do Sul.

Pode-se pensar: uma tecnologia com mais de cem anos de uso deve estar superada pelos enormes avanços pelos quais a agricultura passou e vem passando nos últimos anos. Nada mais enganoso. Ao mesmo tempo que as práticas agrícolas evoluíram, a produção de inoculantes acompanhou pari passu esta evolução tecnológica.

Alinhado com a moderna tendência de um crescimento do uso de produtos biológicos na agricultura mundial, seja no fornecimento de nutrientes, de promoção de crescimento ou de controle biológico, o setor de inoculantes passa em todo o mundo por um processo de modernização continuada, oferecendo ao agricultor produtos perfeitamente alinhados com os modernos conceitos de uma agricultura ao mesmo tempo altamente produtiva, mas com sustentabilidade frente ao ambiente e à sociedade.

Se por um lado os fertilizantes químicos tornaram-se cada vez mais eficazes e fáceis de usar, se os princípios ativos para controle de pragas e doenças também foram desenvolvidos para aumentar seu espectro de controle e com menor potencial de danos ao ambiente, se as máquinas e equipamentos passaram e passam por modificações radicais, os inoculantes também avançaram na mesma proporção.

Se olharmos os inoculantes dos anos 70 do sec. XX, veremos que possuem poucos pontos em comum com os atualmente em uso. Eram exclusivamente na formulação em pó, produzidos com turfa arenosa, sem esterilização, portanto com a presença de contaminantes, concentração em torno de 10 a 100 milhões de bactérias por grama. Cumpriram o seu papel? Sem dúvida. Tudo tem sua época. A produtividade da soja era muito menor que a atual, não se utilizavam defensivos sobre as sementes e tudo isto permitiu que mesmo em baixas concentrações os inoculantes espalhassem o Bradyrhizobium pelos solos brasileiros e aportassem  o N  necessário para aqueles níveis de produtividade.

Entretanto, à medida que o melhoramento da soja trouxe materiais genéticos cada vez mais produtivos, com a necessidade de novos defensivos agregados à superfície das sementes, causando moralidade das bactérias, o inoculante soube responder às novas exigências e se modernizar, permanecendo como um insumo essencial e responsivo às novas necessidades da soja.

Durante muito tempo os produtos biológicos, com exceção do inoculante, permaneceram como uma tecnologia de pequena importância na agricultura. Eram produtos da “agricultura de baixa tecnologia” ou exclusivos para a agricultura orgânica. Mas talvez o sucesso do inoculante, adaptando-se rapidamente à modernização, mostrou o caminho para que outros produtos também encontrassem seu espaço na agricultura altamente produtiva. Com a tomada de consciência da necessidade imperiosa de uma agricultura mais amigável com o ambiente, mas ao mesmo tempo altamente produtiva, novos caminhos se abrem, de forma irreversível para novos tempos na produção de alimentos. Não apenas a agricultura de precisão, o uso de informática no campo, o uso de GPS, drones e sensores altamente sofisticados darão o tom para as mudanças no panorama rural.

Os produtos biológicos fazem e cada vez mais farão parte deste ferramental sofisticado, moderno, inovador, trazendo soluções altamente eficazes para o produtor colher sempre mais, com mais segurança e perfeitamente afinado com as modernas tendências mundiais de agricultura sustentável.

As empresas associadas da ANPII estão perfeitamente afinadas com estes conceitos e desenvolvem não só inoculantes, mas outros produtos da área biológica para atender os agricultores brasileiros, seja através de pesquisas em seus próprios departamentos, seja em convênio com os melhores centros de pesquisa do pais.